Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2006

A nossa luz dos espanhóis

• Abílio Duarte Simões

Se tivesse um negócio não seria números.
Assim, nem números nem negócio.
O que equivale por dizer que otas (e otários?), tgvs (ou não vês), galps e iberdrolas (vê lá se te amolas) são negócios cujos números, intenções, motivos e companhia me passam completamente ao lado.
Nem é grande consolação pensar que tal descapitalização não seja monopólio meu.
Claro que consolação é sabermos que temos governantes e ex-govemantes acima de toda a suspeita, rigorosos na defesa das contas públicas, exemplares na luta pelo interesse público, irrepreensíveis no desempenho de cargos políticos, primeiro, e, depois, nos conselhos de administração de empresas que lhes não devem qualquer espécie de favores, protecções, amparos ou apoios.
Chamem-se essas empresas Eurominas, Iberdrola, EDP, Galp, seja qual for o respectivo bilhete de identidade. Que pela Iberdrola seja responsável um deputado, que já foi ministro (e até superministro), que vai tomar assento no conselho superior da EDP, que a primeira seja concorrente da segunda, tudo pode concorrer para a transparên­cia. Com fios bem entretecidos. Sem cortes na lisura. Ou não fosse a luz o essencial do negócio.
Mas afinal o ex-superministro já anunciou que, por enquanto, prescinde de ser conselheiro. A ver vamos... se ainda houver luz nacional.
Mal esclarecido está o motivo de Jorge Sampaio querer desvendar esse mistério e iluminar os por­tugueses sobre tais meandros onde, afinal, apareceriam penumbras, sombras, escuridões, noites completas, embora bem iluminadas para alguns.
Claro que não acredito que ao carregar no interruptor, chamando a Belém (de Lisboa) o ministro responsável por todas estas luminosidades, Jorge Sampaio quisesse dar uma ajuda a Cavaco Silva.
Afinal, o presidente pode, ou não, interferir em assuntos destes? Como (qua­se) todos concordaram, há-de concluir-se que não foi ajuda.
Mas fez-se (alguma) luz, mesmo agora que ela é mais cara e pobres e ricos vão ter mais dificuldade em ver. Talvez não ver seja uma sorte. Afinal a EDP cuida de nós. E da nossa saúde.
Viva a luz que nos dão. E viva também a ética da república. Que é a lei.
Disse quem já foi denominado "cardeal". Laico, certamente. Mas se a lei é que faz a ética, por que motivo há leis que não são éticas?
....
In: Correio de Coimbra, 12jan06
publicado por lamire às 03:52
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