Sexta-feira, 3 de Março de 2006

JOSÉ CRISANTO, PROFESSOR NA FIGUEIRA DA FOZ

Da Casa do Gaiato para a vida
“Tive as minhas mãos, nas mãos de um Santo”. É assim que José Roque Crisanto, 60 anos, docente de história na Escola EB 2/3 João de Barros, na Figueira da Foz, começa por recordar o conhecimento e a amizade que travou com Padre Américo. Natural do Orvalho, Castelo Branco, José Crisanto foi para a Casa do Gaiato de Miranda do Corvo, aos 11 anos. “Não porque existisse por parte dos meus pais falta de posses extremas, mas sim porque aquela era a única forma de eu ir para o Seminário estudar”, lembra.
E assim, em 1950 José Crisanto partiu para a mais importante aventura da sua vida. “Estive quatro anos no Seminário da Figueira da Foz. Terminei o curso e continuei na Casa do Gaiato”. Sobre o Padre Américo, a quem carinhosamente os rapazes das Casas do Gaiato chamavam de Pai Américo, aquele docente diz tê-lo conhecido pessoalmente. “Infelizmente estive com ele uns dias antes da sua morte. Era um homem único. O seu processo de beatificação está praticamente pronto. Sabe que os santos são homens muito especiais. E ele era assim”, recorda José Crisanto. “Quando eu estava em Miranda do Corvo, sempre que ele lá se deslocava eram momentos de grande alegria. Sabe era um santo que aparecia por ali”, acrescenta.
A relação de Padre Américo para os rapazes das Casas do Gaiato eram, na opinião de José Crisanto, “uma relação de pais para filhos. Nós só o chamávamos de pai Américo. A pedagogia do Padre Américo baseava-se na Família, Deus e no Trabalho. Ou seja, o conhecimento do Senhor Deus, a família e o trabalho. Todos nós tínhamos uma função, por mais pequena que ela fosse”.
É com alguma saudade, mas com uma grande dose de orgulho de pertencer à família da Casa do Gaiato, que José Crisanto recorda o tempo que passou em Miranda do Corvo, onde também foi chefe daquela estrutura. “Houve um dia que o Padre Américo foi a Miranda do Corvo, e como eu era o chefe da Casa chamou-me e apertou as minhas mãos. Depois disse-me, afinal é verdade o que dizem a teu respeito, tens calos nas mãos, é sinal que trabalhas. Por isso eu digo muitas vezes que já tive as mãos, nas mãos de um santo”.
A filosofia de vida dentro das Casas do Gaiato mantém-se idêntica àquela que Padre Américo preconizou para aquelas instituições. “Era, e é, uma vida de oração, de trabalho, de família. Todos nós tínhamos uma função, desde os mais pequenos aos mais velhos. E não me digam que isso é exploração, porque eu não o aceito. Arrumar uma casa ou varrer uma rua não é exploração de trabalho”.
Quando terminou o curso no Seminário, José Crisanto teve a oportunidade de regressar a casa, mas optou por ficar na Casa do Gaiato. “Liguei-me de tal maneira à Casa do gaiato, que por lá fiquei. Estive em Miranda do Corvo e depois em Setúbal. Fiz o Magistério Primário, mais tarde licenciei-me em História e só saí da Casa do Gaiato no dia em que me casei em Miranda do Corvo”.
Aos 60 anos, lembra os momentos vividos naquelas que foram as suas casas durante parte da sua infância e juventude, com orgulho e sem qualquer tipo de preconceito. “Para mim a Casa do Gaiato significou tudo. Ainda hoje sou fã da Casa do Gaiato. Conheço muitas obras de beneficência, sou professor e lido muito de perto com as crianças, pelo que considero a Casa do Gaiato como uma estrutura única e actual”.
A sua ligação com a Casa do Gaiato e com a obra do Padre Américo mantém-se. “Aqui na Figueira da Foz, sou o responsável pela realização da tradicional festa da Casa do Gaiato. A minha ligação com a casa do Gaiato era feita através do padre Horácio, que faleceu há dias, mas continuo a dar o meu apoio à obra, pois considero-a importante e actual. A sua pedagogia continua a ser a mais correcta. Infelizmente é uma obra que ainda continua a ser necessária. Era bom que não fosse, pois significava que não havia problemas”.
José Crisanto foi chefe da Casa do Gaiato em Mirando do Corvo, Coimbra e em Setúbal. É aquilo a que hoje chama de “baptismo de fogo. As responsabilidades eram grandes, pois substituía o Padre sempre que ele não estava, marcava os trabalhos de cada um e estava sempre directamente ligado aos rapazes”. Aos 60 anos, José Crisanto seguiu a filosofia de vida aprendida na Casa do Gaiato. É casado com a vereadora do Partido Socialista, na Câmara da Figueira da Foz, e tem dois filhos já licenciados. “Toda aquela metodologia aprendida foi importante”.
Dos seus antigos colegas, lembra que muitos conseguiram tirar cursos superiores, outros viraram empresários. “Dentro do possível mantemos contactos uns com os outros, através da Associação dos Antigos Gaiatos. No próximo dia 17 de Setembro vamos homenagear o padre Horácio, que agora comemorava os seus 50 anos como elemento da Casa do Gaiato. Tínhamos tudo preparado para lhe fazer uma homenagem ainda em vida, o que não foi possível. Mas no dia 17, em Miranda do Corvo, vamos fazer-lha na mesma”.
...
in Forum www.exalunosdafigueira.com
ams (03-03-2006 - 01:00:12 AM)


publicado por lamire às 17:07
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1 comentário:
De José de Moura Carreira a 29 de Abril de 2008 às 23:55
Caro Crisanto:
Não estou bem certo se é você. Conheci, no entanto, um Crisanto, que esteve na Casa dos Gaiatos de Coimbra, ao tempo do saudoso Padre Horácio, cujo falecimento acabo de tomar conhecimento, através do seu artigo. Estive, inclusive, dom o Crisanto, na Ilha de São Tomé, quando por lá passei a caminho de Moçambique, onde cumpri serviço militar entre Jan/64-Fev/66. Estudei no Colégio Pedro Nunes, próximo ao Penedo da Saudade, onde conheci o Crisanto, e os meus grandes amigos Carlos Alberto Trindade e Carlos Alberto de Jesus.
Se possível, dê-me alguma informação deles. Somente hoje encontrei o seu artigo, na Net. Moro em Belém do Pará, Brasil, desde meu retorno de Moçambique.
Antecipadamente, agradeçoa sua atenção.
Abraços
José Carreira

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