Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Padre vota "Sim"

Um padre diz que vota "Sim", no referendo, porque entende que de­ve acabar a humilhação das mulheres em tribu­nal e o "verdadeiro infanticídio" a que obriga a lei actual.
 
O padre Manuel Costa Pin­to, de 79 anos, defendeu, em Viseu, que a mulher deve ser libertada "dessa coisa vergonhosa que é o julgamento e os exames à sua vagina" e tam­bém do castigo da prisão e deu o exemplo de Jesus Cristo, que perdoou a adúltera. "Jesus dis­se 'aquele que estiver sem peca­do que atire a primeira pedra’ e ficou apenas ele e a mulher. En­tão acrescentou: ' eu não te con­deno, vai, e não tornes a pecar’. O nosso Magistério, papas e bispos, não podem esquecer isto", frisou.
Por outro lado, o padre afir­mou não compreender como "pessoas sensatas" podem alhear-se do "verdadeiro infan­ticídio" que muitas mulheres co­metem depois do nascimento dos filhos. "Mulheres com me­do, que não têm dinheiro para ir para o aborto clandestino e muito menos para o estrangei­ro, disfarçam a gravidez até ao parto. Vão para uma casa de banho, sai uma criança, aí sim, já uma criança, metem-na num saco e deitam-na ao caixote do lixo, ao esgoto ou até no cam­po", lamentou.
Na sua opinião, estas situa­ções só acontecem "por causa da lei que existe actualmente", sendo que, nestes casos, já con­sidera existir um crime, porque se o bebé nasceu com vida "é uma pessoa com personalidade jurídica".
Divisões mesmo na Igreja
O padre Manuel Costa Pinto garante que não há unanimida­de mesmo no modo como o Ma­gistério e os teólogos católicos abordam este problema. Consi­dera que o Evangelho, com o exemplo de Jesus Cristo, basta­ria para justificar a sua opinião, mas, no entanto, preferiu tam­bém apontar as posições to­madas ao longo dos tempos pa­ra sustentar que, ao despenalizar-se a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas, não estará sequer a falar-se de um "ser humano". Aludiu ao li­vro "Bioética", que levanta a dú­vida sobre o zigoto "ser ou não o adulto em que o embrião se desenvolve", e também "Deus, a Medicina e o Embrião", de René Frydman, sobre a ideia do "fiIho-projecto".
Esta ideia encontrou-a tam­bém no campo católico, numa obra do jesuíta espanhol Carlos Domingues Morano, que "diz que a geração de um filho tem que ter o desejo dos pais, que só com o espermatozóide e o óvu­lo não há filho", contou.
Citou São Gregório de Nisse, para quem "não se pode chamar homem ao embrião, dado o seu estado imperfeito; na verdade, nesse estado não passa de uma coisa virtual que, após o devi­do aperfeiçoamento, poderá atin­gir a existência do homem; po­rém, enquanto se encontra nes­se estado de inacabado, é qual­quer outra coisa". Também São Jerónimo considerava que "o sé­men toma forma, gradualmen­te, no útero; não há homicídio, enquanto os diversos elemen­tos não forem visíveis e dotados dos seus membros". A teoria de Santo Agostinho, segundo o qual "não pode dizer-se que se possa privar alguém de uma al­ma que ainda não tenha recebi­do", e a de São Tomás de Aquino sobre a "forma substancial dos viventes, chamada alma", que "requer uma certa disposi­ção orgânica, ou seja, partes heterogéneas", foram outras apre­sentadas pelo padre.
Citando o actual Papa
Um dos documentos mais re­centes é, segundo o padre, um pronunciamento da Congrega­ção da Doutrina e da Fé de 1987, então presidida pelo Cardeal Ratzinger, actual Papa, segundo o qual "o ser humano deve ser respeitado e tratado como pes­soa, desde a sua concepção". "Diz que o embrião deve ser respei­tado como uma pessoa, mas não diz que é uma pessoa", real­çou, lamentando que "os mais papistas que o Papa, para levar a sua avante", estejam a "exagerar os textos".
Admitiu que a maioria dos padres portugueses não partilha da sua opinião, mas considera que esses "nem sequer estuda­ram o problema", porque "os bis­pos disseram que era a questão do aborto que estava em causa e pronto". Disse ter gostado de ou­vir a opinião do Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, que afirmou que votaria "Sim" no referendo caso a questão posta a votação fa­lasse exclusivamente na despenalização da mulher. "Ele não foi totalmente coerente. Ele devia entender a pergunta, porque tem inteligência para isso", consi­derou, acrescentando que, no en­tanto, compreende a sua atitude de "prudência".
O vigário-geral da diocese de Lamego, à qual pertence o padre que anunciou que votará "Sim" no referendo de domingo, disse que terá uma conversa com o sa­cerdote para esclarecer a sua po­sição, mas numa "base de cari­dade".
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in: Diário das Beiras, 9Fev2007,pág 20
publicado por lamire às 22:54
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