Sábado, 17 de Dezembro de 2005

A zombaria da verdade

Já tivemos um ministro que, pese embora a competência que ninguém pôs em causa, rapidamente passou a ex-ministro por causa duma inadvertida anedota contada no local errado e na hora imprópria.
Disso me lembrei quando vi, nas televisões, um Borrel espanhol, a propósito dum acidente, dizer que "assim sucedia a quem ia de helicóptero à tourada".
Felizmente que a Borrel nada aconteceu.
Mas há mais. Ninguém reparou no que um professor disse para outro (agora também) professor: "Se for eleito (como, pelo menos ele, espera), tudo farei para aumentar a corrupção".
Queria dizer (mas não disse) que tudo faria para aumentar o combate à dita.
E que dirá aquele locutor para quem "esta equipa, quando começa um jogo a perder, já não consegue ganhar"?
Que havia resultados fabricados (parece que) já sabíamos. Mas começar um jogo a perder... só se for com um dos tais árbitros (Ieronimus dixit) que engoliram o apito.
E por falar em engolir, aqueles dezasseis mil contribuintes, portugueses e portuguesas, que concorreram às oitocentas vagas para agentes da GNR, que tiveram de fazer uma prova "impressa de madrugada" (não quer dizer que tenha sido feita à pressa), por causa dos boatos, engoliram aquele privilégio de lá encontrarem um privilégio. Já não foi grande sorte depararem com questões que (talvez) pudessem apresentar-se com melhor fardamento. Claro que pode ser uma daquelas gralhas que agente conheça mas a gente preferia o privilégio de ganhar um lugar sem trocas... de letras.
Claro que cada um vai fazendo as suas melhores construções mas anunciar que "Câmara e Caritas constroem casas destruídas pelo fogo" é título merecedor de boa ceia para quem consegue construir... o que está destruído.
Construir caminhos... "para chegar a Belém" é obra a que alguns (convencidos?) lançaram mãos.
Estão no seu direito e os portugueses a algum hão-de garantir reforma dourada nestes tempos em que outros vêem diminuir os direitos.
Mas... os entusiastas de certas constitucionalidades deveriam mudar o nome ao palácio. Nafarros, Águeda, Almada, Boliqueime, Sabugo, sei lá, seria um nome muito mais desempoeirado.
Até porque não fica bem os laicos recorrerem a qualquer figuração que laica não seja, do género de dizerem que "parece (o adversário) um anjo imaculado e salvador", ou dizer o jornal "o mandatário distrital (em Braga) só chegou no final porque estava a celebrar missa".
Incompreensível silêncio se fez à volta duma (religiosa) declaração do ex-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, depois de o seu camarada socialista de Espinho o ter acusado de "olhar as pessoas de cima da burra".
Não é que o político aveirense retorquiu dizendo que o autarca de Espinho "prefere olhar as pessoas do alto do Cristo do Corcovado". A religião era para aqui chamada?
Num país onde escaparam os pregos que seguravam os (poucos) crucifixos, esfalfaram-se alguns em legitimar a decisão.
Com todo o direito. Naturalmente. Evitavam era de cair em resquícios republicanistas. Mais do que argumentar, ofenderam.
De trogloditas a reaccionários foi um ver se te avias. Havia de ser bonito se o respeito não fosse maior do que o desrespeito. Mas ninguém quer (felizmente) acabar com alguns feriados. Nem mudar a designação dos dias da semana.
Em Portugal esse nome... é cristão!
A propósito do (falado) respeito, estamos na vanguarda. Não pindérica mas proletária. Só gente de altos desígnios sabe receber com fidalguia os dirigentes chineses, olhos nos olhos, sem tergiversações. Um país que, em democracia, condecorou o patriota Ceau-cescu não há-de vitoriar os (legítimos!) detentores do poder do povo chinês?
Ainda mais significativo será se tal acontecer no dia da Declaração Universal dos Direitos do Homem (e das Mulheres). Avante, povos do mundo.
Quais horários de trabalho, quais direitos, quais segurança social? Deixem-nos enrodilhar noutros têxteis. Esses são que nos preocupam. Nem que fiquemos de olhos trocados.
Para não percebermos que "não há pior zombaria que a verdade". Como dizia o Malhadinhas.
.....
Abílio D. Simões, in: Correio de Coimbra, 12dez05
publicado por lamire às 03:54
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